A PND é uma prova de História — mas as perguntas são sobre ensinar História. A matriz oficial só enuncia competências docentes, e na prova de 2025 nove em cada dez questões colocam você dentro de uma sala de aula. Confira você mesmo: os links estão no rodapé.
Reconstituí o componente específico de História cruzando os quatro cadernos oficiais do Inep e classifiquei cada uma das 50 questões.
Para ser exato: parte dessas questões tem moldura de sala de aula e comando de conteúdo — o professor apresenta a fonte, e a pergunta é sobre o processo histórico. Conteúdo cai. O que quase nunca acontece é ele cair sozinho, sem uma decisão de ensino embutida.
Vygotsky, avaliação diagnóstica e avaliação processual apareceram dentro da prova de História. O Egito apareceu duas vezes, e nas duas pela chave africana — articulado à Núbia e à cosmologia, não à Antiguidade clássica.
A Matriz de Referência do componente específico — Portaria Inep n.º 324/2025 — enuncia, no Art. 6.º, exatamente duas competências avaliadas. Ambas são pedagógicas:
selecionar, analisar, adaptar, elaborar e utilizar metodologias de ensino, recursos didáticos e processos avaliativos [...] favorecendo a produção de conhecimentos, a autonomia discente e a valorização da identidade dos envolvidosPortaria Inep n.º 324, de 26 de maio de 2025, Art. 6.º, I
As doze habilidades vinculadas são, sem exceção, habilidades docentes. Não há na matriz inteira uma única competência que enuncie o domínio de conteúdo histórico como objeto de avaliação.
Isso não significa que o conteúdo não caia — significa que ele é cobrado por dentro de uma decisão didática. Você precisa saber História; só que a pergunta nunca para aí.
É o Art. 7.º que produz esse pânico: ele lista catorze objetos de conhecimento, de História Antiga a relações de gênero, e todo mundo lê a lista como se fosse o programa. Leia a frase que a introduz:
A prova [...] tomará como referencial o processo de ensino e aprendizagem de História, articulando aspectos teórico-práticos do ensino com os seguintes objetos de conhecimento.Portaria Inep n.º 324/2025, Art. 7.º
Os objetos não são o que se avalia. São o material através do qual a competência docente é avaliada. História Medieval não cai como História Medieval — cai como situação de ensino de História Medieval. A diferença não é de ênfase: decide qual alternativa está certa.
Baixei a amostra oficial de uma das apostilas de PND História mais vendidas e li o índice paginado. São 266 páginas — e nenhuma questão. Nem seção de exercícios, nem simulado, nem gabarito. Procurei os termos no texto: zero ocorrências.
E a distribuição interna: dos cerca de 174 páginas de conteúdo específico, quatorze tratam de ensino de História. Oito por cento. O resto é recorte cronológico — Antiga na página 99, Medieval na 117, Moderna na 125.
Elas gastam 92% do espaço no que responde por 10% da prova. Volume não é preparo quando o volume está no lugar errado.
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Para você julgar o material antes de decidir — e não pela minha descrição dele.
Um professor propôs ao 7.º ano que confrontasse esse trecho com a existência atual de mais de uma centena de línguas indígenas faladas no Brasil. A atividade permite que os estudantes concluam, com fundamento histórico, que
Resposta: B. O gatilho. O documento declara a intenção com todas as letras. Quando a fonte explicita a intenção do colonizador e o enunciado a confronta com a persistência no presente, a correta é a que nomeia a política como deliberada e reconhece a resistência.
Por que os distratores seduzem. A e D naturalizam o desaparecimento — D é a mais grave, porque apaga o Estado de um processo que o próprio documento mostra ser política de Estado. C inverte o sentido da fonte de modo tão frontal que só sobrevive a quem não leu o texto-base: ela existe para separar quem leu de quem chutou.
Materiais de concurso costumam prometer emprego. Este não promete, porque os números não sustentam:
A Lei n.º 15.344/2026 diz que a PND serve para “subsidiar” os entes federados. O verbo é esse. Nenhum município é obrigado a usar a nota, e não há incentivo federal para quem usa.
O cálculo racional é outro: você já pagou a inscrição, vai fazer a prova de qualquer jeito, e a nota vale três anos. Então faça bem feito — e saiba exatamente onde ela vale. Essa parte está dentro do caderno, com os casos reais de Pelotas, São Paulo, Ceará e Belo Horizonte, e com a ressalva que derruba muita gente: um dos maiores concursos aceita somente a nota de 2026.
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Serve, e é justamente para quem mais precisa: a armadilha do Art. 7.º pega principalmente quem está estudando sozinho pela lista de conteúdos.
Não, e não vou fingir que substitui. Ele treina a competência que a prova cobra e mostra onde o conteúdo realmente aparece. Se você já tem apostila, este é o que falta. Se não tem, ele resolve 90% da prova específica.
Não. Este caderno é do componente específico de História — as 50 questões objetivas. A Formação Geral tem 30 objetivas e uma discursiva, e é material à parte.
Nenhuma. São 50 questões inéditas, escritas para este caderno. Os textos-base são atos oficiais e documentos de domínio público, sempre referenciados.
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Tudo o que está afirmado aqui vem de documento público. Os endereços são estes: